Refutando o mito da "camisa pesada"

No dia 17 de Dezembro de 2018 foram definidas as oitavas de final da Champions League. Manchester United enfrentaria o Paris Saint-Germain. Na época, o time ainda era comandado pelo português Jose Mourinho (demitido um dia após o sorteio), praticando um futebol pragmático com resultados questionáveis. Claramente havia o favoritismo do clube francês, ainda que muitos justificassem uma possível classificação inglesa pautados no discurso de "camisa pesada", ou então pelo fato de julgarem o clube francês como "pequeno", devido aos grandes investimentos feitos na última década - como se os demais clubes europeus, grandes e pequenos, também não gastassem absurdos desde sempre.

Porém, após a demissão de Mourinho e a sequência de vitórias do recém contratado Ole Solskjaer, a situação mudou. O time engrenou, venceu 9 jogos seguidos - ainda que grande parte dos jogos tenham sido contra times inferiores tecnicamente (venceu o Tottenham com desempenho pior que o adversário, em uma atuação monstruosa de David de Gea) - e contava com ótimas fases de jogadores como Paul Pogba e Anthony Martial. Ainda com as lesões de Neymar e Cavani, desfalcando o clube parisiense, o favoritismo agora passava para o lado dos red devils, que viam com excelentes olhos a possível classificação, principalmente com o primeiro jogo em seu estádio.

Só que o que foi visto no dia 13 deste mês foi, talvez, a comprovação de que, acima de tudo que se diz respeito às instituições, o clichê do jogo jogado dentro de campo prevaleceu. Com uma estratégia concreta e uma escalação que, para quem não acompanha o time, pareceu estranha, Thomas Tuchel engenhosamente encurralou o Manchester United. Sustentando a pressão, que já era esperada, nos minutos iniciais, e contando com contra-ataques rápidos, buscando Angel Di Maria e Daniel Alves pelas beiradas do campo.

Jogadores do PSG comemoram o primeiro gol, de Kimpembe

Enquanto isso, o United sofria. Martial e Lingard (este, como sempre, aquém do tamanho do clube que joga) sentiram e foram substituídos de maneira precoce por Alexis Sanchéz e Juan Mata. Após o primeiro gol, marcado pelo zagueiro Presnel Kimpembe, o time mandante desabou. Solskjaer parecia atônito à beira do campo, sem esboçar qualquer reação. Marquinhos, com uma partida impecável, anulou eficientemente o principal jogador adversário, não deixando Pogba ditar o ritmo de jogo. Com um primeiro tempo discreto, o melhor jogador da partida apareceu somente na segunda etapa, comandando o ataque parisiense anotando duas assistências. Di Maria calou o Old Traffort, que tanto lhe vaiou durante o jogo, dando o troco da única maneira possível: decidindo a partida.

Para fechar com chave de ouro o lado francês, Pogba ainda foi expulso, ficando de fora do jogo no Parc des Princes, no dia 06/03.

No final das contas, camisa e títulos não entram e campo e não marcam gols. 

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