Convocação de Fagner expõe problemas do calendário brasileiro

Fagner atuou pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2018. (Foto: Getty)

Antes de iniciar o texto: minhas críticas NÃO SÃO em relação à qualidade técnica do Fagner nem aos critérios de convocação do Tite, mas sim em relação ao modo de como nosso futebol é organizado pelas federações.

Fagner é o melhor lateral-direito atuando aqui no Brasil desde 2015 e, ao meu ver, sua escolha era natural, levando em conta o modo como o treinador fez a última convocação. Vamos lá:


Hoje (18), foi anunciado que o lateral-direito Daniel Alves (PSG) sofreu uma lesão no joelho esquerdo e foi retirado da convocação para a próxima data-FIFA. Fagner (Corinthians) foi o escolhido para substituí-lo.

Dos 23 convocados, apenas 3 atuam no Brasil. Os outros 20 não desfalcarão seus times pois os campeonatos da Europa são adequados à data-FIFA.

Vale lembrar que isso não é exclusivo da Europa ou um problema  aqui na América do Sul. Durante as datas-FIFA, nenhum jogo de competições geridas pela CONMEBOL acontece.

Ontem, o Corinthians venceu o Oeste e garantiu matematicamente a classificação para a fase mata-mata do Campeonato Paulista. Por conta da convocação de Fagner, o time será desfalcado.

O mesmo acontece no seu rival, o Palmeiras. Weverton, goleiro titular do time, também desfalcará a equipe nos jogos do mata-mata.

E não é de hoje: ano passado, o meia uruguaio Giorgian de Arrascaeta - na época jogador do Cruzeiro - viajou por 25 horas seguidas para conseguir disputar o segundo jogo da final da Copa do Brasil. O jogador tinha disputado amistosos pela seleção uruguaia alguns dias antes.

Nosso calendário deveria ser adequado às datas-FIFA, o que seria uma combinação ideal de bem-estar para os clubes, campeonatos e jogadores.

Além disso, os jogos da Seleção serão contra as "grandes potências do futebol mundial" Panamá e República Checa. Ainda por cima, são amistosos. Compensa desfalcar equipes brasileiras em jogos importantes para contar com 3 atletas em jogos sem valor e contra equipes com uma qualidade técnica completamente abaixo da nossa?

Ao meu ver, uma solução seria dar chances para jogadores sub-20, como Vitinho (ex-Cruzeiro) ou Emerson Royal, ex-Atlético Mineiro e que foi vendido para o Barcelona recentemente.

Ou até deslocar o Militão para a lateral-direita e dar chance para zagueiros jovens, como Luiz Felipe, da Lazio, que recusou a convocação para a seleção italiana sub-21.

Cada vez mais, o futebol disputado no Brasil perderá seu nível por incompetência das federações em fazerem um calendário decente.

No último podcast, debatemos sobre isso. Confira aqui.

Enfim... muita coisa terá que mudar para que voltemos a ter um futebol em alto nível aqui em nossas terras.

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